sábado, 16 de junho de 2012

O nordeste e os festejos juninos

Sei que não tenho postado nada neste último mês, mas não foi por falta de assunto e, sim, por muitas tarefas...

Nestes dias entrei de folga e estou viajando pelo nordeste visitando amigos e descansando um pouco..

Neste período nossa região se transforma, porque estamos nos festejos juninos (Santo Antônio, São João e São Pedro). Nosso povo gosta de comer neste tempo comidas a base de milho, dançar quadrilha e muito forró (pé de serra especialmente), faz fogueiras em homenagem a esses santos e tudo fica bem mais colorido..

Podemos notar um sentimento de orgulho de ser nordestino e a riqueza de nossa cultura parece sempre ganhar um novo tom, com todos os processos de modernização que vivemos.

Porém, também dá pra sentir a força do capitalismo querendo transformar (em muitos lugares já transformou) esta linda festa popular em mais um produto, mais uma oportunidade para gerar lucro, pervertendo muitas vezes o sentido e a beleza dos festejos juninos.. Bandas oportunistas que não valorizam nossa rica cultura, mas apenas produzem músicas de baixíssima qualidade para o consumo imediato aproveitam este tempo para tentar galgar os degraus da fama, quadrilhas estilizadas vão se tornando empresas para vencer concursos e vamos perdendo o gosto das quadrilhas simples e populares que ensaiavam para dançar nas comunidade pelo simples prazer de dançar, tudo é feito e pensado visando o lucro e vemos os festejos que eram organizados pelas famílias, amigos e vizinhos que compartilhavam o trabalho e a comida para poder juntos conviver e festejar ir desaparecendo...

Gosto muito desta época do ano, do clima que respiramos de alegria e de convivência. Temo pela perda de tudo isso em vista do lucro e do espetáculo vazio de valores culturais.

Também este ano temos pouco milho porque atravessamos uma rigorosa seca, muitas cidades cancelaram as grandes festas por causa da falta de água. Enquanto se investem milhões de reais em festas comerciais de São João, nosso povo sertanejo espera auxílio em meio a esta seca que, infelizmente, pelas previsões, só tende a piorar.

Apesar da seca nosso povo ainda faz alguma coisa para festejar este mês porque está no seu sangue, apesar do sofrimento. Eles não precisam de megaeventos para festejar, eles se juntam com os vizinhos e fazem sua celebração.. o que eles precisam dos poderes públicos e dos empresários do entretenimento é o investimento para enfrentar a seca na esperança de que as chuvas não demorem a chegar.

Festejar este mês não é fuga dos problemas ou alienação, é celebrar nossa cultura nordestina de guerreiros que vivem em meio as violentas mudanças de clima de nossa região, que sabem viver na chuva ou na seca, que enfrentam o calor e o frio, que sabem partilhar na fartura e na falta... é festejar a esperança que nos sustenta em meio uma história de sofrimentos e abandono, é um grito de revolta que se nega a entregar-se as contrariedades da vida apontando sempre para o futuro..

Adoro este tempo de festa, de celebração religiosa e popular. Renova meu orgulho de ser nordestino, de carregar no sangue a história desta região, de fazer parte deste povo guerreiro e alegre.

Nestes dias de folga quero ver as pessoas, ouvir suas histórias, dançar forró e quadrilha, comer comida de milho, conhecer e compartilhar as alegrias e lutas dos que sofrem com a seca... vou seguir meu rumo de peregrino e vamos ver o que Deus coloca em meu caminho.

Boas Festas para todos!!



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