Pesquisar este blog

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Salário de R$ 42.116,00 por dia! Essa é a tristeza de perder a Copa?

Não sou insensível nem antipatriota, ao contrário, amo demais meu país. Por isso, vendo tantas notícias e comentários hora criticando hora manifestando apoio seja a seleção de futebol seja a jogadores específicos da seleção, fico pensando no que realmente queremos neste momento. 

Vi há poucos minutos um vídeo de uma mulher chorando e dizendo "eu quero ser campeão, Dilma! Por que você não pagou a Alemanha?"
Oxe?? O importante é vencer a qualquer custo? 
Entre essas e outras eu li agora essa notícia no G1 esporte "Por lesão, Fifa terá que pagar salário de Neymar a partir de 2 de agosto". E sabem de quanto será este pobre salário? Até ele se recuperar, deverá receber R$ 42.116,00 POR DIA!! Isso mesmo, por dia!

Agora me digam se tenho realmente motivos para ficar deprimido com a derrota do Brasil na Copa? Se um jogador de futebol (com todo o talento que ele tiver ou que a mídia diz que ele tem) por causa do seu "talento" ganha R$ 42.116,00 por dia de salário, sem ter feito uma Faculdade, sem ter produzido nada de realmente significativo para a promoção do bem comum (e não falo de obras de caridade, porque tem muita gente de bom coração e sem dinheiro que é muito solidária), o que realmente é importante?

São os fãs que pagam esses valores consumindo ingressos e produtos oficiais. A paixão não é racional, nunca foi. Um fã saberá justificar gastar R$ 700,00 reais numa camisa oficial do seu time do "coração". Ou seja, todos nós, nesta roda viva pagamos para manter esse "padrão FIFA" de estrutura tão escandalosamente desproporcional a grande realidade das pessoas "não talentosas" neste esporte.

Vocês não acham que tem alguma coisa errada nesta situação?
Não pensem que desmereço o atleta ou a importância do esporte na nossa vida, porque todo esporte favorece o desenvolvimento da nossa saúde como também é uma fonte prazerosa de lazer. O que questiono é a irracionalidade desses disparates que cercam o mundo esportivo e fazem dele uma indústria milionária, tudo movido pela "paixão" de bilhões de pessoas que sustentam esses sistema.

Só gostaria que tivéssemos a mesma paixão para investir contra a corrupção que envergonha nosso dia-a-dia no cenário político nacional e local. Paixão para exigir reformas políticas sérias. Paixão para que se invista em educação e saúde decentes e dignas para todos. Paixão para dar, cada um, sua contribuição para fazer cada cidadão sentir orgulho de ser brasileiro.

Desculpem os fãs do esporte, mas para mim é indiferente o Brasil ter perdido ou ganhar um dia a Copa e se tornar Hexa. Foi divertido assistir aos jogos, torcer, brincar com os resultados, mas a Copa termina por aí pra mim. Sem sofrimentos e copiosas lágrimas. E depois dessa notícia que o "pobre" craque ferido, sem poder trabalhar por causa da lesão, vai receber da FIFA, repito, R$ 42.116,00 por dia, não posso sentir peninha como se esse e os outros fossem uns coitados que perderam tudo que tinham com a derrota. É claro que tem o dano emocional e psicológico de quem disputa um evento desse tipo e quer vencer. Ninguém quer perder.Porém, esse sofrimento passa e a vida de cada um vai continuar, com, no máximo, uma ferida no orgulho e na autoestima por não terem vencido. Só isso! Nada que terapia não ajude a resolver.

Posso estar, talvez, parecendo duro em minhas colocações, mas não é  nada de pessoal. Apenas estou questionando todo esse sistema e a injustiça para com trabalhadores, professores, cientistas, técnicos, que suam dia e noite para construir esse país e que, em sua maioria, tem que viver de salário mínimo, sem poder usufruir de educação de qualidade, saúde descente, segurança eficiente.

Acredito que o problema está no coração humano. Temos ideais, mas também temos a ambição de sempre querer ter mais do que realmente precisamos e isso independe de classe social, educação, cultura, sexo ou religião. É uma fraqueza humana difícil de contornar. E se eu fosse falar do sistema político daria um texto duas vezes maior do que este. E nem sei se alguém vai ter a coragem de ler ele todo, mas eu me senti na obrigação de escrever algo.

Cada um tire suas conclusões.

Um abraço para todos!