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segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Violência em Mossoró - Onde iremos parar?

Estou, hoje, partilhando minha indignação diante do quadro de violência que estamos vivendo em nossa região. A seguir posto um texto que publiquei no Face logo após mais um caso de morte violenta de um jovem em nossa cidade.

Segue o texto:

Ontem a noite (25/08/2013) mais uma morte violenta em Mossoró. Com essa morte subimos nossa estatística para 122 mortes violentas, ou seja, 15 mortes por mês em média ou uma morte para cada dois dias. 

Desta vez foi um rapaz de 15 anos assassinado a tiros na Alberto Maranhão na altura do bairro Belo Horizonte. Coincidentemente, eu estava passando no local pouco tempo depois do ocorrido e vi a situação. Não sei qual a motivação deste crime, mas isso não me importa neste momento, o que importa é ver que se mata e se morre em Mossoró como se estivéssemos numa terra sem lei nem ordem. Não estou criticando o trabalho da polícia, ao contrário, acho que eles são verdadeiros heróis por trabalhar nas condições atuais de equipamentos e recursos que têm a sua disposição. O que estou criticando é a falta de políticas públicas para lidar com todo este contexto de violência, políticas de alcance global, ou seja, não só botar mais polícia na rua bem equipada e bem remunerada, que é também importante, mas olhar a situação de pobreza nas periferias, falta de estrutura educacional adequada, falta de acesso a cultura de qualidade, uma sensação de abandono e desrespeito pelo povo. 

Parece que enquanto forem jovens pobres da periferia que morrem não tem problema, vamos esperar que alguém de status social seja vítima desta violência, aí a imprensa vai passar três meses noticiando e cobrando providências, vão fazer passeatas pela paz e reportagens emocionalistas nos meios de comunicação, todos ficarão horrorizados com os acontecimentos e, talvez, somente talvez, alguma atitude concreta seja tomada. 

Estou começando a ficar com medo de sair para minhas atividades em Mossoró, porque justamente frequento alguns lugares que são hoje evidentemente de risco e mesmo em casa temo pela minha segurança e dos que comigo moram.
A sociedade civil não pode ficar indiferente a isso! Vamos cobrar dos nossos políticos providências, afinal votamos neles para isso, para cuidarem de nossa cidade.
O movimento CHEGA, PAZ MOSSORÓ é uma iniciativa interessante da sociedade civil procurando cobrar soluções para o problema da violência, mas ainda é pouco. Precisamos, como cidadãos nos envolver mais e criar mais iniciativas para combater essa realidade, do contrário, não sei onde vamos parar.


O que vocês acham disso??

Pe. Augusto Lívio

sexta-feira, 21 de junho de 2013

PROTESTOS – JUVENTUDE – ESPERANÇA

Estou acompanhando, com muito interesse, os acontecimentos desses últimos dias sobre todas essas mobilizações que estão contagiando o país, e levando milhares de pessoas as ruas para protestar e manifestar sua insatisfação com a realidade política e social em que se encontra nosso Brasil.
Tenho lido, assistido e ouvido muitos posicionamentos sobre essas manifestações, tanto de “comentaristas profissionais” como de pessoas anônimas que estão olhando tudo isso a partir de sua realidade local.

Quero fazer aqui algumas considerações sobre o que eu penso de tudo isto para contribuir com esse debate que está roubando até mesmo as atenções da Copa das Confederações.

Acredito que todo este movimento não somente é lícito, mas necessário diante do atual quadro de corrupção, desmandos e manipulações da opinião pública para encobrir os problemas reais do nosso país. Na verdade já existia uma insatisfação crescente no seio da sociedade brasileira, especialmente entre os jovens, mas as pessoas permaneciam numa atitude de certa apatia. Elas reclamavam nas conversas de calçada, ou postavam e compartilhavam pequenas críticas nas redes sociais, mas uma mobilização real que gerasse um efeito de pressão social não acontecia. Eu mesmo me perguntei várias vezes até quando as pessoas vão engolir caladas toda essa realidade de descaso e desrespeito com a população brasileira.

Parece que o problema do aumento da passagem dos transportes públicos foi o “gatilho” que abriu as portas para que toda a insatisfação social com o atual quadro político, todo o desejo de mudanças reais nas estruturas políticas e sociais, todo desejo de transparência e de honestidade nas instituições públicas viesse à tona. E o que começou como um aparente movimento de estudantes atrás de passagens de ônibus mais acessível se transformou num movimento que incendiou o Brasil, motivando as pessoas a irem pra rua exercer seu direito de cobrar mudanças sociais concretas.
Especialmente os jovens entraram nessa luta porque são eles os mais insatisfeitos ao se verem crescendo num país onde o sistema social e político diz uma coisa, mas faz outra. A juventude é sensível a tudo isso e agora puxa, com o vigor que lhe é próprio, esse movimento.

Outra coisa que me chamou a atenção nessas manifestações é a evidente rejeição ao atual sistema político. Vi jovens expulsando grupos de partidos políticos que queriam participar das passeatas com suas bandeiras e camisas gritando que o movimento não tinha nada com os partidos políticos. Essa atitude, para mim, revela que o olhar da juventude hoje em relação ao sistema político atual com seus partidos é de descrédito. Os jovens, em sua maioria, não acreditam mais nos discursos e ideologias que os atuais partidos pregam. Não importa se são de direita, de centro ou de esquerda, simplesmente esses partidos não conseguem representar os anseios desta nova geração. Por isso, assisti esses mesmos jovens rasgarem e queimarem algumas das bandeiras desses grupos políticos num ato concreto de rejeição e reprovação.

Também assistimos às cenas deploráveis de violência e de vandalismo ocorridas em algumas dessas manifestações. Sobre isso quero apresentar algumas reflexões. O que estaria por trás dessas atitudes? Por que agir de maneira violenta e destruir patrimônio público ou privado em meio aos protestos?

Acredito que parte desta violência manifesta a raiva acumulada dentro das pessoas diante da sensação de impunidade referente aos grandes crimes de corrupção que acompanhamos nesses últimos anos e de inércia dos poderes públicos em resolver os sérios problemas sociais que só se agravam. Muitas vezes, ao sentirem-se impotentes, as pessoas podem ser tomadas de uma ira que se expressa de forma irracional, apenas compreensível para quem já experimentou esta sensação. Então, o quebra-quebra torna-se instrumento de catarse social, tornando-se um meio pelo qual as pessoas expressam toda sua frustração com o sistema.

Ainda sobre essa violência nas manifestações, quero lembrar que, infelizmente, o que também ocorre é que pessoas e grupos se aproveitam de um momento como este para realizar realmente atos criminosos intencionais, misturando-se com a massa reunida e tirando proveito disso para cometer crimes como os saques que aconteceram em algumas dessas concentrações. Essas pessoas não estão interessadas em reivindicações ou com os problemas que estão sendo apresentados por este movimento, elas apenas querem tirar proveito da situação para ganhar alguma coisa com isso cometendo crimes e escondendo-se atrás da multidão.

Por fim, eu também tenho outra intuição sobre esses atos de vandalismo presentes em algumas dessas passeatas. Acredito que, em alguns casos, essa violência é provocada também por grupos plantados estratégica e propositalmente no meio do movimento por aqueles que estão incomodados e tem interesse de que tudo isso não dê em nada, para fazer a opinião pública desacreditar das reais intensões desses protestos. Deste modo, se tira a motivação do compromisso com a participação concreta nas mudanças políticas e sociais, deixando que os mesmo grupos de sempre mandem e desmandem no país e em nosso destino, sem serem incomodados.

Não estou aqui defendendo os atos de violência e de vandalismo que aconteceram nos protestos. Acredito que esses atos públicos devem ser pacíficos e bem organizados pela sociedade civil. O que estou querendo é trazer uma reflexão que essa situação, em meio a um tão bonito despertar da consciência participativa do povo, especialmente dos jovens, me suscita. Quero lançar um olhar mais profundo sobre as causas e motivações desses atos violência e vandalismo, saindo da superficialidade que tenho visto em certos comentários que simplesmente usam esses infelizes acontecimentos para desacreditar esse movimento tão bonito e significativo e que eu gostaria muito que se desdobrasse em frutos de uma nova geração mais consciente e participativa da vida social e política deste país.

O que estamos assistindo é uma oportunidade de abrir novos caminhos para uma real transformação de nosso sistema social e político. Apoio, incentivo e participo deste processo. Desejo que todos possam também entrar nele de modo consciente e responsável para construirmos juntos um Brasil cada vez mais justo, fraterno, solidário e honesto.

Esta é minha opinião. O que você pensa de tudo isso?

Pe. Augusto Lívio

quarta-feira, 22 de maio de 2013

CEB'S EM QUESTÃO

Li esta semana a entrevista que o Pe. Marcelo Rossi deu a Folha de São Paulo, na qual tece comentários sobre alguns tema da Igreja, mas é sobre as CEB's que seus comentários provocaram certa reação.
Hoje li um texto do Fr. Marcos Sassatelli, Frade Dominicano, em resposta aos comentários do Pe. Marcelo.
Achei interessante compartilhar aqui este debate. Para usar de honestidade intelectual vou postar os dois textos seguidos para que o leitor possa tirar suas próprias conclusões. Manifestarei minha reflexão posteriormente.
Apesar da postagem ficar um pouco extensa, acho que vale a pena ler tudo. Segue, então, os textos:

ENTREVISTA PADRE MARCELO ROSSI
O perigo é esquecer a oração e cair na política
 (DIÓGENES CAMPANHA) DE SÃO PAULO
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Folha - Qual sua expectativa em relação ao papa Francisco?
É uma expectativa muito grande, a começar pelo rompimento dos protocolos. Espero muito da renovação da igreja, da opção pelos pobres. Espero em julho estar com ele na Jornada Mundial da Juventude e entregar o [livro] "Kairós". Meu amigo padre Fábio de Melo, padre Reginaldo Manzotti e eu estaremos lá, cantando para ele.
Em 2007, o senhor foi impedido de cantar para o papa Bento 16 no Brasil e acusou a Arquidiocese de São Paulo de boicotá-lo. Temeu que o arcebispo dom Odilo Scherer virasse papa?
Não, pelo contrário. Dom Odilo pôde me conhecer de perto. Percebeu que eu não era um artista. Hoje tenho uma admiração e um carinho enorme por ele. Não vou dizer que [o responsável pelo boicote] foi dom Odilo. Foi o comitê organizador. É muito fácil culpar. Às vezes, a pessoa nem está sabendo.
Ainda em 2007 ele disse que seu trabalho era "insuficiente" e que "o padre não é um showman". O que mudou?
Ele entendeu que eu não faço show. Celebro missa. Toda missa que faço, mesmo na TV, quem está à frente é o meu bispo [dom Fernando Figueiredo, bispo de Santo Amaro]. Estou lá animando. Minha função é animar as pessoas.
O último Censo apontou um aumento do número de evangélicos e a diminuição do número de católicos. Como recuperar o terreno?
O número de católicos é enorme e o de padres, em relação aos fiéis, mínimo. Para formar um sacerdote são no mínimo sete anos. Um pastor se faz em três meses. A formação é mínima. E precisa ter acolhida. A pessoa vai à igreja, ela está fechada. Os [templos] evangélicos estão sempre abertos. E o uso da mídia. Você liga a TV, sempre tem coisa evangélica, pessoas que invadem horários e horários. É até exagerado.
Na assembleia da CNBB, neste mês, a igreja indicou que quer incentivar as Comunidades Eclesiais de Base para recuperar espaço em áreas pobres. Deve ser esse o caminho?
Aí eu questiono. Acho as CEBs importantes, mas hoje nosso povo precisa de grandes espaços. Vejo nas missas do Santuário. Uma vela ilumina? E dez? E 20 mil? O Palmeiras estava sem 13 titulares, mas a torcida foi e eles se classificaram na Libertadores. Faz diferença. Os evangélicos erguem grandes locais, porque reúnem as pessoas. Se ficar fechado na CEB, esquecer a oração, ficar só na política... Se olhar os que estão no governo, a maioria surgiu da CEB.
A CEB está na origem do PT.
O PT surgiu da CEB. Então, que não politize. O perigo é este: cair na política.
O senhor é criticado por atrair o público, mas adotar um discurso conservador e distante dos problemas sociais.
Temos trabalhos com recuperação de drogados, arrecadação de alimentos. Nas CEBs, acaba se tornando mais política do que social. É mais perigoso a pessoa ter a tentação à política na CEB.
Acha que a igreja serviu de trampolim para integrantes do governo ou do PT?
Não poderia julgar. A Igreja Católica é apartidária, pelo menos deve ser. Os evangélicos, às vezes, determinam em quem votar. Estamos voltando à Idade Média, o período mais terrível e negro da igreja.
Mas na campanha do ano passado houve episódios polêmicos envolvendo a Igreja Católica, como a declaração de dom Odilo contra a campanha de Celso Russomanno.
E dom Fernando depois se manifestou [disse que Russomanno era católico]. Russomanno saiu de encontro de casais. Fiz o casamento dele, batizei os filhos. Ele é católico. É fácil hoje você destruir uma pessoa. Veja o [deputado Gabriel] Chalita [acusado de receber favores de empresas quando era secretário estadual da Educação].
Como avalia as denúncias contra ele, que é seu amigo?
Fico perplexo. Estou esperando ele se manifestar. Nossa função é ficar quietinho, porque é um amigo que me ajudou muito. Quero ver o que vai ser provado. Se algo está errado, você vai falar [denunciar] depois de dez anos? É para destruir a pessoa.
Conversou com Chalita?
Até agora não, acredita? Estou esperando um posicionamento mais claro. Ainda dizia, quando ele falou que iria entrar na política: "Não faça isso". Eu o aconselhei várias vezes. Conselho é bom, né, mas você só pode dar.
Espera um posicionamento público ou que ele fale pessoalmente com o senhor?
Pessoalmente eu não prefiro. Tenho certeza de que ele vai falar que está tudo OK. Mas quero ver um posicionamento provando isso.
Acredita na inocência dele?
Parto do princípio da confiança. Mas não sou cego. Se eu vejo alguma coisa que está errada... Por isso estou esperando que ele se coloque.
Qual sua opinião a respeito do pastor Marco Feliciano (PSC-SP) à frente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara?
Ele tentou até me provocar [disse, em uma entrevista, que "padre Marcelo pede dinheiro e nunca se falou nada"]. Eu nunca pedi dinheiro. Pelo contrário. O jogo deles é criar guerrilha. A melhor coisa é ficar quieto. A Justiça do mundo pode tardar, mas chega. E credibilidade não se compra. Em 2010, a Folha fez uma pesquisa sobre em quem o brasileiro mais confiava, com 27 personalidades. Estava o Edir Macedo, que ficou lá em 20º [foi o 26º]. Fiquei em terceiro lugar. Eram Lula, William Bonner e eu.
Ele deveria renunciar?
Ele nem deveria estar lá, na minha opinião. A partir do momento em que se diz um pastor, não dá para ser ao mesmo tempo um líder político. Acho importante ter uma bancada católica, como existe a evangélica. Mas não acho correto padre, bispo, pastor se candidatarem, porque aí estou transformando um púlpito num palanque.
Qual sua opinião sobre o casamento gay?
A palavra de Deus é clara: Deus criou o homem e a mulher. A igreja acolhe o pecador, mas não o pecado. Não vai poder legitimar o casamento entre homossexuais. Mas acolhe com carinho.
E sobre a adoção por casais homossexuais?
[Ele é contra] Por causa da formação. O que vai ficar na cabeça [da criança]? Você quebra o sentido do que é família, que é o homem e a mulher, o pai e a mãe. São princípios bíblicos. Não sou eu que vou contrariar a palavra de Deus. Seja evangélico ou católico, a partir do momento em que você é cristão, não dá.



Resposta dada por Frei Marcos Sassatelli ao padre Marcelo Rossi sobre as CEB's

Fr. Marcos Sassatelli
Frade Dominicano. Doutor em Filosofia e em Teologia Moral. Prof. na Pós-Graduação em DD.HH. (Comissão Dominicana Justiça e Paz do Brasil/PUC-GO). Vigário Episcopal do Vicariato Oeste da Arq. de Goiânia. Admin. Paroq. da Paróquia N. Sra. da Terra
Lendo a "Entrevista Padre Marcelo Rossi” (Folha de S. Paulo, 29/04/13, p. A14), fiquei abismado com a superficialidade com a qual o entrevistado trata das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs). Demonstra claramente que não tem nenhuma experiência pessoal de CEBs e nenhum conhecimento teológico a respeito das mesmas.
Antes de tudo, Pe. Marcelo, comprometer-se socialmente e fazer "a opção pelos pobres” não é só -como você diz- "ter trabalhos com recuperação de drogados e arrecadação de alimentos”. Os pobres não são objetos da nossa ação assistencial e/ou caritativa, mas sujeitos e protagonistas de sua própria história.
As obras de misericórdia, principalmente em determinadas situações sociais de emergência, são necessárias, mas é preciso ter sempre presente sua ambiguidade. Vale o alerta: "A misericórdia sempre será necessária, mas não deve contribuir para criar círculos viciosos que sejam funcionais para um sistema econômico iníquo. Requer-se que as obras de misericórdia sejam acompanhadas pela busca de verdadeira justiça social (...)” (DA, 385).
Comprometer-se socialmente e fazer "a opção pelos pobres”, significa, sobretudo, ser uma Igreja pobre, para os pobres, com os pobres e dos pobres; uma Igreja despojada, sem poder, sem ostentação, sem luxo, sem triunfalismo e sem clericalismo; uma Igreja solidária com os pobres e que assume a sua causa, que é a causa de um Mundo Novo, ou, à luz da fé, do Reino de Deus, acontecendo na história humana e cósmica. "Como eu gostaria de uma Igreja pobre e para os pobres"! (Francisco, bispo de Roma,16 de março de 2013).
É lamentável, Pe. Marcelo, que você critique o incentivo da CNBB às CEBs. Elas -apesar das limitações inerentes à condição humana- devem ser incentivadas não por uma questão de proselitismo, mas pela sua fidelidade ao Evangelho. As CEBs, Pe. Marcelo, não "esquecem a oração e não ficam só na política”. Reconhecem que tudo é político, mas que a política não é tudo.
O perigo, Pe. Marcelo, não é as CEBs "se tornarem mais políticas do que sociais”; não é as pessoas terem nas CEBs "a tentação à política” (a política não é uma tentação, mas uma vocação) ou "caírem na política” (se politizarem), "combinando princípios cristãos a uma visão social de esquerda”.
O perigo é os cristãos/ãs serem alienados e omissos diante das injustiças e violações dos direitos humanos; não denunciarem -muitas vezes por covardia e conivência- as "situações de pecado" (DA, 95) ou as "estruturas de pecado” (DA, 92), que são "estruturas de morte" (DA, 112).
O perigo é os cristãos/ãs serem irresponsáveis frente aos desafios do mundo, fechando-se num "egoísmo religioso”, que nada tem a ver com o Evangelho.
Ao contrário do que você, Pe. Marcelo, afirma, o povo hoje, mais do que de "grandes espaços”, precisa de "pequenos espaços”, para deixar de ser massa, viver a irmandade e ser comunidade.
As CEBs, Pe. Marcelo, são sal, luz e fermento em todas as dimensões da vida humana, inclusive na dimensão política e político-partidária. Elas -a exemplo de Jesus- se encarnam no mundo e estão sempre presentes na vida do povo. Iluminadas pelo Espírito Santo, sabem discernir o que Deus quer nas diversas situações humanas
As CEBs vivem a utopia de um Mundo Novo, que, à luz da fé, é a utopia do Reino de Deus, numa sociedade pluralista e, sem perder sua identidade, respeitam e valorizam o diferente.
É lamentável, também, Pe. Marcelo, que você -indo contra todos os ensinamentos da Igreja- tenha aconselhado várias vezes um cristão (não importa agora o nome) a não entrar na política, dizendo: "não faça isso”. Felizmente, o cristão aconselhado demonstrou mais consciência social do que você e não aceitou a sua orientação.
No Brasil, as CEBs (à luz da Segunda Conferência Geral do Episcopado Latino-americano de Medellín -Colômbia- 1968) são, sem dúvida, a expressão mais significativa do modelo de Igreja do Vaticano II.
Como irmão, Pe. Marcelo, permito-me dar uma sugestão: antes de falar das CEBs, faça nelas uma experiência de vida e estude um pouco de Eclesiologia cristã pós-conciliar.
Goiânia, 14 de maio de 2013.