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quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Refletindo alguns aspectos da nossa realidade


Estou vivendo dias de reflexão sobre nós mesmos, seres humanos. Tenho observado como somos diferentes e como essas diferenças nos enriquecem, mas também nos separam uns dos outros...

Vejam bem, estou falando daquilo que nós somos: humanos!!

Fico cada vez mais impressionado como perdemos tempo com coisas insignificantes: brigamos porque queremos que as pessoas pensem igual a nós, brigamos porque queremos controlar o mundo do nosso jeito, brigamos e nos frustramos porque as coisas não saem do modo como planejamos, não aceitamos que a vida é imprevisível e que existem muitas coisas que não podemos fazer ou controlar..

Fico estarrecido que, apesar de todo mundo falar que deseja um mundo melhor, com mais justiça, paz, bem estar para todos, nossos políticos parecem estar mais preocupados com seu bolso (falo dos maus políticos!) do que com esses valores. E a população não reage a isso!!! Assistimos ao nosso sistema de saúde e de educação (sistemas fundamentais para a formação do cidadão) afundarem sem nos queixarmos...

Se eu tenho meu diploma não importa se sei ler e escrever corretamente, ou se tenho capacidade de interpretar criticamente aquilo que vejo ou leio, se sou capaz de desenvolver o conhecimento adquirido nos anos acadêmicos, o importante é que com o diploma posso tentar arranjar um emprego bom e pronto!!!

O que está acontecendo???

Tenho lido muita coisa nesses dias e fico cada vez mais preocupado com o sentimento de indiferença diante de tantos problemas. Apesar de sabermos quais valores e atitudes podem nos fazer crescer, superar esta situação, parece que na prática preferimos ser desonestos, pegar o caminho “mais fácil” para “vencer” na vida, fazer as coisas de qualquer jeito, sem nos preocuparmos com as conseqüências.

Se não começarmos a mudar o modo como vivemos e educamos as próximas gerações temo pelo que o futuro nos reserva... Faltam ideais, falta garra, falta ação junto com a indignação, faltam atitudes de compromisso com a mudança do nosso país...

As Igrejas e as religiões estão em silêncio!! Fala-se alguma coisa, mas não se tomam atitudes mobilizadoras em vista de procurar mudanças. Parece que estamos preocupados em levar as pessoas para o “céu” sem nos preocuparmos se elas estão ou não vivendo aqui em uma situação de “inferno”.. Multidões procuram as Igrejas, religiões ou algum tipo de mística para preencher o vazio existencial que carregam de sentido e direção que lhes falta diante da instabilidade da vida, mas dar respostas a esta busca não pode ser uma anestesia diante da realidade, ao contrário, deve ajudar as pessoas a mergulharem na realidade comprometidas com sua transformação.

Estou cansado de ver a religião sendo usada apenas para “preencher um espaço” na vida das pessoas, quando ela deveria ser luz que orienta e anima toda a vida da pessoa humana.

Talvez minhas palavras soem pessimistas, ou talvez alguém as considere exageradas.. pode até ser as duas coisas, mas é como tenho percebido muitas coisas ultimamente...

Entretanto, tenho esperança, acredito na força transformadora que Deus colocou dentro de cada ser humano e é justamente por isso que escrevo, para tentar alcançar este lugar dentro de nós, para provocá-lo, para tentar acordá-lo desta anestesia em que se encontra.

Tenho esperança, mas não posso deixar de olhar o que está ao meu redor, e o que vejo é sofrimento, solidão, perda de sentido para viver, injustiça, exploração e miséria (espiritual e material).

Quero me comprometer cada vez mais com um caminho que leve em outra direção, que Jesus chamou de Reino de Deus: reino de justiça, fraternidade, solidariedade, vida, amor e paz.

Não escrevi aqui um texto para um jornal ou coisa assim, escrevi pensamentos que rondam minha mente e meu coração... Quis compartilhá-los com vocês na esperança de que possamos, juntos, refletir e agir, buscando soluções para tantos desafios que estão diante de nós..

Obrigado se você conseguiu ler até o final.

Podes concordar ou não com o que escrevi, mas o que não podes é ser indiferente a toda esta realidade.

Um forte abraço.

Pe. Augusto Lívio.