Pesquisar este blog

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Vamos criar a CCMEF? (artigo de Ruth de Aquino)



Não há como deixar de transcrever o artigo de Ruth de Aquino publicado com o título desta postagem na revista 'Época' desta semana. A sugestão dela para a criação da CCMEF (Contribuição dos Corruptos Municipais, Estaduais e Federais) é muito criativa.
Vale a pena ler seu artigo:
 

"Quem falar que resolve a saúde sem dinheiro é demagogo.
Mente para o povo.”
 
Dilma está certa. É urgente. Em lugares remotos do Brasil, hospitais públicos são mais centros de morte que de cura. Não é possível “fazer mágica” para melhorar a saúde, afirmou Dilma. Verdade. De onde virá a injeção de recursos? A presidente insinuou que vai cobrar de nós, pelo redivivo “imposto do cheque”. Em vez de tirar a CPMF da tumba, sugiro criar a CCMEF: Contribuição dos Corruptos Municipais, Estaduais e Federais.
 
A conta é básica. A Saúde perdeu R$ 40 bilhões por ano com o fim da CPMF, em 2007. As estimativas de desvio de verba pública no Brasil rondam os R$ 40 bilhões por ano. Empatou, presidente. É só ter peito para enfrentar as castas. Um país recordista em tributação não pode extrair, de cada cheque nosso, um pingo de sangue para fortalecer a Saúde. Não enquanto o governo não cortar supérfluos nem moralizar as contas.
 
Uma cobrança de 0,38% por cheque é, segundo as autoridades, irrisória diante do descalabro da Saúde. A “contribuição provisória” foi adotada por Fernando Henrique Cardoso em 1996 e se tornou permanente. O Lula da oposição dizia que a CPMF era “um roubo”, uma usurpação dos direitos do trabalhador. Depois, o Lula presidente chamou a CPMF de “salvação da pátria”. Tentou prorrogar a taxação, mas foi derrotado no Congresso.
 
A CPMF é um imposto indireto e pernicioso. Pagamos quando vamos ao mercado e mesmo quando pagamos impostos. É uma invasão do Estado nas trocas entre cidadãos. Poderíamos dizer que a aversão à CPMF é uma questão de princípio.
 
Mas é princípio, meio e fim. Não é, presidente?
 
“Não sou a favor daquela CPMF, por conta de que ela foi desviada. Por que o povo brasileiro tem essa bronca da CPMF? Porque o dinheiro não foi para a Saúde”, afirmou Dilma. E como crer que, agora, não haverá mais desvios?
 
Como acreditar? O Ministério do Turismo deu, no fim do ano passado, R$ 13,8 milhões para uma ONG treinar 11.520 pessoas. A ONG foi criada por um sindicalista sem experiência nenhuma com turismo. Como acreditar? A Câmara dos Deputados absolveu na semana passada Jaqueline Roriz, apesar do vídeo provando que ela embolsou R$ 50 mil no mensalão do DEM.
 
Como acreditar? Os ministros do STF exigem 14,7% de aumento para passar a ganhar mais de R$ 30 mil. Você terá reajuste parecido neste ano? O orçamento do STF também inclui obras e projetos, como a construção de um prédio monumental para abrigar a TV Justiça. É prioridade?
 
O Congresso gasta, segundo a organização Transparência Brasil, R$ 11.545 por minuto. O site Congresso em Foco diz que cada um de nossos 513 deputados federais custa R$ 99 mil por mês. Cada um dos 81 senadores custa R$ 120 mil por mês. São os extras. E o Tiririca ainda não descobriu o que um deputado federal faz.
 
“É sério. Vamos ter de discutir de onde o dinheiro vai sair (para a Saúde).”
 
Tem razão, presidente. Mas, por favor, poupe-nos de seu aspirador seletivo.
 
A senhora precisa mesmo de 39 ministérios consumindo bilhões? Aspire os bolsos gordos da turma do Novais, do Roriz, do Sarney. Apele à consciência cívica dos políticos e juí­zes que jamais precisaram do Sistema Único de Saúde.
 
Vamos criar o mensalão da Saúde.
Um mensalão do bem, presidente. Corruptos que contribuírem serão anistiados. ONGs fantasmas, criadas com a ajuda de ministros & Cia., terão um guichê especial para suas doações.
O pessoal que já faturou por fora com a Copa está convocado a dar uns trocados para a Saúde.
 
Enfiar goela abaixo dos brasileiros mais um imposto, nem com anestesia. Um dia nossos presidentes entenderão o que é crise de governabilidade. Não é a revolta dos engravatados em Brasília nem a indignação dos corredores e gabinetes.
A verdadeira crise de poder acontece quando o povo se cansa de ser iludido.
 
Os árabes descobriram isso tarde demais.
Deitavam-se em sofás de sereias de ouro, cúmulo da cafonice.
Eles controlavam a mídia, da mesma forma que os companheiros do PT estão tentando fazer por aqui.
Não deu certo lá. Abre o olho, presidente.


segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Falando sobre educação e tecnologia


Estava lendo a folha de São Paulo do Domingo 25/09/2011, no caderno sobre escola e fiquei impressionado com a reportagem que falava sobre o uso de tecnologias novas no processo educativo. Entretanto, não me refiro aqui sobre o uso de computador para os alunos do ensino médio em suas pesquisas de trabalhos, falo de netbooks para os alunos em fase de alfabetização, ou seja, aprender a ler e escrever já no computador, além do crescimento do uso de tablets também nas salas de aula.

Não sou contra a tecnologia, mas, assim como diz a reportagem, sou a favor do uso destes recursos dentro de um plano pedagógico bem definido que deve ajudar aos alunos a usarem desses equipamentos de forma a tirar deles o melhor proveito para sua própria educação, inclusive no uso responsável destas tecnologias.

Porém, o que me incomodou nesta reportagem foi o fato de que, se não tivermos cuidado, perderemos algo que é fundamental, mas que, aparentemente, parece que não tem importância: o ato de escrever com papel e lápis.

Veja, repito mais uma vez, não sou contra a tecnologia, pois eu mesmo gosto e procuro usá-la para agilizar minha vida. O problema é que o ato de escrever usando o “velho papel e lápis” não é algo dispensável, opcional, dentro do processo educativo. Acredito que as crianças durante toda a alfabetização, mesmo com o auxílio de tecnologia virtual, devem trabalhar prioritariamente com a tecnologia real, ou seja, manusear papel e lápis. Justificarei minha posição...

O ato de escrever não é somente mecânico, mas também cognitivo, ou seja, escrever exige muito mais do que o uso dos músculos da mão e do braço. Este processo exige uma ação cognitiva que ajuda no desenvolvimento do pensamento e no armazenamento de informações. No exercício motor do ato em si temos a interação entre o que o cérebro comanda e o que o corpo realiza no ato de escrever. Tudo isso, apesar de aparentemente imperceptível, é um conjunto de elementos que a criança e o jovem não podem perder sob a pena de, talvez, deixar de desenvolver algumas capacidades que lhe serão tão necessárias no futuro estudantil e profissional.

Facilmente encontramos crianças e jovens com déficit de atenção, dificuldade de concentrar-se em uma coisa de cada vez, dificuldade de leitura e compreensão (esses são os analfabetos modernos), com pressa pra tudo e pouca paciência para a reflexão. Acredito que o ato de escrever com o lápis e o papel ajudam a trabalhar todos esses problemas.

Vamos usar as tecnologias, vamos explorá-las em tudo o que pode nos auxiliar no processo educativo, mas tenhamos cuidado para não desprezar as coisas simples e a tecnologia básica do papel e lápis, pois muitas vezes, no mais simples encontramos o fundamental e insubstituível para a nossa vida inteira.

Um abraço!

Pe. Augusto Lívio.