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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Cristãos perseguidos hoje: intolerância e violência


Estou postando duas notícias que apresentam realidades difíceis que comunidades cristãs enfrentam em alguns lugares do mundo.
Quando o ser humano vai aprender a dialogar com o diferente? Nós, no passado, fomos perseguidores de quem não pensava igual a nós, mas, graças a Deus, aprendemos que é preciso respeitar a pluralidade, inclusive no campo da fé.
Entretanto, ainda os cristãos são vítimas de perseguição e incompreensão.
Leiam estas duas notícias e reflitam sobre este desafio...


Indonésia: cresce a intolerância às minorias religiosas
Atacadas três igrejas e dois centros cristãos em Java
Por Paul De Maeyer

ROMA, sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011 (ZENIT.org) - Na capital da Indonésia, Jacarta, foi aberta em 6 de fevereiro a “Semana para a Harmonia Inter-Religiosa”, iniciativa patrocinada pelas Nações Unidas, com uma cerimônia no estádio Istora Senayan, onde o Papa João Paulo II celebrou uma missa em 9 de outubro de 1989. Mas por trás dos discursos de cortesia e dos convites à tolerância recíproca, esconde-se uma realidade pouco amistosa.

Neste 8 de fevereiro, uma multidão de muçulmanos enfurecidos atacou e destruiu três igrejas em Te Mang Gung, capital de província de Java Central. Entre os alvos estavam a paróquia católica de São Pedro e São Paulo, um orfanato cristão e um posto de saúde das Irmãs da Providência. No ataque saiu ferido o pároco, Pe. Saldanha, missionário da Sagrada Família, enquanto tentava proteger o sacrário e a Eucaristia.

A ira da multidão foi suscitada pela condenação de um cristão acusado de proselitismo e blasfêmia, Antonius Richmond Bawengan, de 58 anos, a cinco anos de prisão, veredito considerado “suave demais”, já que era esperada a pena de morte. O homem, nascido na província de Sulawesi Setentrional, foi preso em outubro por distribuir material missionário, considerado ofensivo para o islã. A turba assaltou primeiro o tribunal, para depois se manifestar pelas ruas incitando à violência (Jakarta Globe).

“Estamos abalados. A violência nunca é uma boa solução. Pedimos a todos, muçulmanos e cristãos, que encarem todas as questões de forma civilizada e com espírito de fraternidade. Convido os fiéis católicos e todos os cristãos a não reagirem à violência. Queremos dar um sinal de paz para todos”, disse a Fides Dom Johannes Pujassumarta, arcebispo de Semarang e secretário da Conferência Episcopal da Indonésia (KWI, ou Konferensi Waligereja Indonesia), que falou de uma “violência planejada e orquestrada”. O arcebispo enviou também uma mensagem para os fiéis.

Suas palavras foram confirmadas pelo jesuíta Ignacio Ismartono, perito em Diálogo Inter-Religioso. “O aumento da intolerância – num contexto como o da Indonésia, caracterizado pela convivência pacífica – leva a pensar que existem forças obscuras querendo alimentar a tensão na sociedade. A violência em Te Mang Gung tinha sido preparada dias antes, mas a polícia não fez nada para prevenir as ações”, contou a Fides.

Tudo indica que no país muçulmano mais populoso do globo, com 220 milhões de habitantes, os ataques e os atos de intolerância às minorias religiosas estão aumentando. A última pesquisa a respeito foi publicada dias antes pelo Setara Institute for Democracy and Peace. Com os dados coletados pelo instituto, com sede em Jacarta, pode-se constatar que no transcurso de 2010 houve na Indonésia pelo menos 216 violações à liberdade religiosa e de culto.

Destes, 91 casos ocorreram na parte ocidental de Java – a ilha principal e mais populosa do arquipélago – e 28 na parte oriental; 75 foram contra as confissões cristãs. Segundo o instituto, há um gritante aumento em comparação com o ano anterior, quando foram apenas 12. De acordo com a Compass Direct News (3 de fevereiro), 43 destes 75 casos foram ataques contra locais de culto e outras ameaças à segurança.

Os autores destes atos de violência são, na maioria, membros de movimentos radicais muçulmanos. Segundo Ismail Hasani, pesquisador do Setara Institute, destacam-se o Islamic Defenders Front (FPI) e o Islamic People's Forum (FUI), responsáveis, respectivamente, por 17 e 11 incidentes desse tipo.

Uma das dificuldades que as diversas denominações cristãs encontram na Indonésia é conseguir autorização para construir novos locais de culto ou fazer trabalhos de reconstrução.
É emblemático o caso da igreja protestante Taman Yasmin, em Bogor, Java Ocidental, cujas obras foram embargadas pelas autoridades locais a pedido do FUI. Nem uma sentença do Tribunal Supremo da Indonésia, em 14 de janeiro, conseguiu desbloquear a situação. Como conta o Jakarta Post (29 de janeiro), a comunidade protestante de Bogor pediu agora aos juízes supremos uma cópia oficial da sentença, com a esperança de calar os clamores dos extremistas.

Depois da comunidade cristã, a minoria religiosa mais exposta a violações e abusos na Indonésia é a seita muçulmana dos ahmadiyya (ou Ahmadi), considerados “hereges” ou “apóstatas”, porque dizem que Maomé não é o último profeta. Segundo dados do Instituto Setara, esta minoria, que na Indonésia tem cerca de 200.000 seguidores, sofreu 50 ataques em 2010.

O último e gravíssimo episódio foi no domingo 6 de fevereiro, quando um grupo de quase 1.500 pessoas (armadas com barras de ferro e facões) assaltou a casa de um chefe desta minoria no povoado de Cikeusik, na província de Banten (extremo-oeste de Java). Segundo a Associated Press (6 de fevereiro), o ataque deixou três mortos e seis feridos, dos quais quatro em estado extremamente grave.

Como em outros países muçulmanos, os dirigentes das minorias e os grupos pró-direitos humanos denunciam a passividade, às vezes conivência ou cumplicidade, das autoridades com os radicais, com frequência por motivos eleitorais. O bispo de Padang, Dom Martinus Dogma Situmorang, lançou recentemente uma severa advertência a este respeito e definiu como “preguiçosa” a resposta do governo aos verdadeiros problemas do país. Segundo o prelado, “uma crise moral” assola a Indonésia, junto com o aumento da intolerância, fenômeno perante o qual a Igreja não pode permanecer em silêncio (AsiaNews, 1 de fevereiro).

Muitos observadores criticam, também, o presidente da Indonésia, Susilo Bambang Yudhoyono (conhecido apenas como SBY). Segundo Hasani, do Setara Institute, o presidente finge não ver as violações da liberdade religiosa no país. Durante um encontro com representantes da Igreja, o líder declarou com orgulho, no último 21 de janeiro, que durante a sua administração não tinha havido sérios abusos contra os direitos humanos. “Pelo contrário”, afirmou Hasani: “Não houve iniciativas ou progressos significativos para superar os abusos que a Igreja enfrentou” (Compass Direct News, 3 de fevereiro).

Os últimos acontecimentos obrigaram o presidente a reagir. O ministro de Assuntos Políticos, Legais e de Segurança, Djoko Suanto, difundiu um comunicado de Yudhoyono. “O presidente denuncia o ato anárquico perpetrado por um grupo de pessoas que atacaram lugares de culto e outras estruturas em Te Mang Gung”. A polícia de Java Central recebeu a ordem de identificar os responsáveis e levá-los aos tribunais. Segundo o Jakarta Globe, a polícia prendeu nas últimas horas o primeiro suspeito.

Paquistão: jovem cristão é assassinado por patrão muçulmano
Temor diante da abolição do Ministério para as Minorias
ROMA, sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011 (ZENIT.org) - O abuso e a violência contra cristãos no Paquistão não param. Desta vez, a vítima foi Imran Masih, um jovem cristão do Punjab, torturado e assassinado por seu patrão, um rico fazendeiro muçulmano.

O que aconteceu foi denunciado à agência Fides pela All Pakistan Minorities Alliance (APMA), uma organização que trabalha para proteger os direitos das minorias.
"Estes episódios ocorrem em um contexto de discriminação social e religiosa, em que os ricos muçulmanos acreditam que podem dispor da vida dos cristãos, que são os últimos na escala social; são tratados como objetos e são vítimas indefesas das violências", declarou a organização.

Imran Masih, de 24 anos, residente na aldeia de Nut Kallan, tinha sido contratado há dois anos como motorista de Mohammad Masood, um rico proprietário de terras no distrito de Gujranwala, no Punjab.

No sábado, 5 de fevereiro, Imran não foi ao trabalho por motivos de saúde. No dia seguinte, no seu regresso, ele foi espancado e torturado até a morte.
Masood e seus cúmplices entregaram o corpo de Imran ao seu pai, Lal Masih, também empregado na mesma fazenda, explicando que o jovem havia cometido suicídio.
O pai não acreditou nesta explicação e, diante dos sinais evidentes de golpes no corpo do filho, foi até a delegacia para denunciar o assassinato.
A polícia local tentou convencê-lo a não registrar a queixa e só depois da intervenção dos ativistas da APMA, que organizaram uma manifestação pública em Gujranwala, bloqueando as ruas, foi oficialmente registrada a acusação de homicídio contra Mohammad Masood e dois cúmplices.

"Em casos como este, podemos constatar o silêncio das autoridades civis - explicaram fontes da Fides no Paquistão. Nós nos sentimos como cidadãos de segunda classe."
"A figura do ministro federal para as minorias religiosas é útil para a comunidade cristã, para poder ter um interlocutor do governo e para chamar a atenção nacional sobre as condições das minorias religiosas. Por esta razão, queremos que o Ministério não seja abolido", disseram eles.

Após a renúncia do governo de Raza Gilani, espera-se a formação de um novo governo com menos ministérios. Provavelmente se abolirá o Ministério para as Minorias, que se transformará em um departamento do Ministério de Assuntos Religiosos.




Um comentário:

  1. É triste e cruel saber que ainda existem essas coisas, tanta modernidade, tecnologia, avanços incriveis e a mente humana presa a preconceitos totalmente arcaicos... Só nos resta rezar por essas pessoas e pedir a Deus que se compadeça de nós!!!

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